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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mudanças Climáticas

Introdução

As mudanças climáticas são alterações que ocorrem no clima geral do planeta Terra que podem ser tanto um efeito de processos naturais ou decorrentes da ação humana e correspondem à variação de temperatura, precipitação, nebulosidade e outros fenômenos climáticos verificados através de registros científicos nos valores médios ou desvios da média, apurados durante o passar dos anos. Tais variações podem alterar as características climáticas de uma maneira a alterar sua classificação didática e podem ser causadas por processos internos ao sistema Terra-atmosfera, por forças externas (como, por exemplo, variações na atividade solar) ou, como vem ocorrendo mais recentemente, pelo resultado da atividade humana. Elas são produzidas em diferentes escalas de tempo em um ou vários fatores meteorológicos como, por exemplo: temperaturas máximas e mínimas, índices pluviométricos (chuvas), temperaturas dos oceanos, nebulosidade, umidade relativa do ar, etc.

Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo de diversas discussões e pesquisas científicas. Um significativo aumento na temperatura global foi verificado nas últimas décadas, fenômeno conhecido como aquecimento global, gerado pelo aumento da poluição do ar. Como conseqüência o gelo das calotas polares está derretendo e o nível de água dos oceanos vem aumentando, além do processo de desertificação que também tem aumentado nas últimas décadas em função das mudanças climáticas.

É importante ressaltar que o termo “mudança do clima” ou “mudanças climáticas” vem sendo utilizado de forma pouco apropriada, já que ele também pode ser usado tanto para indicar as mudanças climáticas atuais, bem como o aquecimento global originado em causas antropogênicas, ou seja, causadas pela atividade humana.

Causas


As mudanças climáticas são provocadas por fenômenos naturais ou por outras razões, como a ação humana. Estas vem sendo explicadas de formas diversas e a partir de diferentes perspectivas. Não há, no entanto, uma teoria comprovada capaz de concluir o que realmente está provocando o aquecimento global que é, sem dúvida, um fato. Porém sabe-se que as mudanças climáticas têm sido mais intensas desde a Revolução Industrial (século XVIII), momento em que houve um aumento significativo na liberação de gases tóxicos e poluentes no ar.
Entre as causas comprovadas e as prováveis encontram-se as seguintes:

Causas Naturais: o fenômeno da mudança do clima é um evento que pode acontecer de forma natural. Assim, esse fenômeno pode ter causas com origem externa, de fora do planeta, bem como origem terrestre.

Influência externa:
dentre as causas com origem fora do globo terrestre temos as causas com origens solares, que vão desde a variação da energia solar que chega a terra até a variação da própria órbita terrestre.

Ciclo Solar: a temperatura da Terra depende do Sol, que emite radiação. A radiação solar é parcialmente refletida para o espaço e o tem seu restante absorvida pela Terra em forma de calor. Esta energia não chega à Terra de maneira uniforme, apesar do Sol ser uma estrela de classe G e ser muito estável, essa energia aumenta cerca de 10% a cada um bilhão de anos, ou seja, no início da vida na Terra, quase quatro bilhões de anos atrás, a energia do Sol era em torno de 70% da atual. Outro tipo de variação da radiação solar ocorre em decorrência dos ciclos solares, que são mais importantes que a primeira, no que diz respeito à mudança do clima terrestre, visto que essa variação é uma oscilação e não somente um crescente e ocorre em períodos mais curtos.

Variação Orbital: é o aumento, ou diminuição, das radiações solares devido às variações no movimento da Terra em relação ao Sol. A variação orbital ocorre periodicamente, fazendo com que a radiação solar chegue de forma diferente em cada hemisfério terrestre de tempos em tempos. Ela é responsável pelas variações glaciares, que são períodos de longos verões e longos invernos. Essa variação tem como causas: a precessão dos equinócios, a excentricidade orbital e a inclinação do eixo terrestre.

Impacto de Meteoritos:
são eventos raros, mas também podem modificar o clima na terra, já que impactos de grandes proporções podem modificar profundamente a biosfera.

Influência Interna: as causas com origem interna são as mais variadas. Dentre elas temos a deriva dos continentes, movimentação das placas tectônicas sobre a astenosfera, que é algo em torno de centímetros por ano,o que poderia provocar um distúrbio na atmosfera, já que os movimentos orogenéticos de formação de montanhas também poderiam estar prejudicando a circulação dos ventos.

Causas Antropogênicas

- Emissão de gases do efeito estufa: a maioria dos cientistas atribui aos gases do efeito estufa como o gás carbônico, que em excesso, aumentaria a temperatura, retendo mais calor. Entretanto, podemos notar que noutros lugares, o que retém calor é o vapor de água. Outros dizem o contrário sobre o gás carbônico, que o seu aumento na atmosfera reduziria a incidência solar e, conseqüentemente, abaixaria a temperatura. Outros fatores antropogênicos que adicionam a um aumento no dióxido de carbono incluem o desmatamento, a queimada dos combustíveis fósseis e o cultivo do gado. Como já foi dito, o início desse ciclo de liberação de gases prejudiciais na atmosfera terrestre em grande escala ocorreu na Revolução Industrial, onde predominou a queima de combustíveis fósseis e a exploração predatória dos recursos naturais da Terra.

Aquecimento Global


Ao lançar muitos gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera, o planeta se torna quente cada vez mais, podendo levar à extinção da vida na Terra, ou seja, há um agravamento no efeito estufa, caracterizando o chamado aquecimento global. É bom salientar que o efeito estufa é um fenômeno natural para manter o planeta aquecido. Desta forma é possível a vida na Terra. Já o aquecimento global, acontece quando são lançados mais gases de efeito estufa do que as florestas e os oceanos são capazes de absorver. Isso acontece de diversas maneiras como a queima de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) e o desmatamento. O gás carbônico (CO2) contido na fumaça oriunda desse incêndio sobe para a atmosfera e se acumula a outros gases aumentando o efeito estufa. No Brasil, 75% das emissões são provenientes do desmatamento.
Existem várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Diminuir o desmatamento, incentivar o uso de energias renováveis não-convencionais, eficiência energética e a reciclagem de materiais, melhorar o transporte público, conscientizar a população do gasto desnecessário dos recursos, são algumas das possibilidades.

Causas


O sistema climático terrestre muda em resposta a variações em fatores externos incluindo variações na sua órbita em torno do Sol, erupções vulcânicas,e concentrações atmosféricas de gases do efeito estufa. As causas detalhadas do aquecimento recente continuam sendo uma área ativa de pesquisa, mas o consenso científico identifica os níveis aumentados de gases estufa devido à atividade humana como a principal causa do aquecimento observado desde o início da era industrial. Essa atribuição é mais clara nos últimos 50 anos, para os quais estão disponíveis os dados mais detalhados. Contrastando com o consenso científico, outras hipóteses foram avançadas para explicar a maior parte do aumento observado na temperatura global. Uma dessas hipóteses é que o aquecimento é resultado principalmente da variação na atividade solar.

Conseqüências

Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente, o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação. Importantes mudanças ambientais têm sido observadas e foram ligadas a ele. A diminuição da cobertura de gelo, o aumento do nível do mar, as mudanças dos padrões climáticos, são exemplos das conseqüências do aquecimento global que podem influenciar não somente as atividades humanas, mas também os ecossistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecossistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus hábitats (com possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas, desequilibrando a vida na Terra.


Urso polar, animal ameaçado de extinção por causa do derretimento das calotas polares, provocada pelo aumento da temperatura

Quando pensamos em aquecimento global, a primeira idéia que temos é de um fênomeno totalmente prejudicial; entretanto, ele também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecossistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessariamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécies que esteja florescendo.

O aquecimento da superfície favorecerá um aumento da evaporação nos oceanos, o que fará com que haja na atmosfera mais vapor de água (o gás de estufa mais importante, sobretudo porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera). Isso poderá fazer com que aumente cada vez mais o efeito de estufa e com que o aquecimento da superfície seja reforçado. Forma-se, assim, um ciclo vicioso e de difícil reversão. Nesse caso, pode se esperar um aquecimento médio de 4 a 6°C na superfície terrestre. Mas mais umidade no ar pode também significar uma presença de mais nuvens na atmosfera, podendo causar um efeito de arrefecimento.

As nuvens têm de fato um papel importante no equilíbrio energético porque controlam a energia que entra e que sai do sistema. Podem arrefecer a Terra, ao refletirem a luz solar para o espaço, e podem aquecê-la por absorção da radiação infravermelha radiada pela superfície, de um modo semelhante aos gases estufa. O efeito dominante depende de muitos fatores, nomeadamente da altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas. Por outro lado, o aumento da evaporação poderá provocar pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima, com um progressivo aquecimento global.

A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, é provocada por diferenças de temperatura entre os mares. E aparentemente ela está diminuindo à medida que a temperatura média global aumenta. Isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente poderão apresentar climas mais frios por causa aumento do aquecimento global.

O aumento no número de mortos, desabrigados e perdas econômicas previstas devido ao clima severo atribuído ao aquecimento global pode ser piorado pelas densidades crescentes de população em áreas afetadas, apesar de ser previsto que as regiões temperadas tenham alguns benefícios menores, tais como poucas mortes devido à exposição ao frio.

Efeitos adicionais antecipados incluem aumento do nível do mar de 110 a 770 milímetros entre 1990 e 2100, repercussões na agricultura, possível desaceleração da circulação termoalina, reduções na camada de ozônio, aumento na intensidade e freqüência de furacões, baixa do pH do oceano e propagação de doenças como malária e dengue. Um estudo prevê que 18% a 35% de 1103 espécies de plantas e animais serão extintas até 2050, baseado nas projeções do clima no futuro.
Vídeo da Fundação O Boticário sobre as mudanças climáticas

EL NIÑO: A receita da Confusão

Quando ele chega, tudo muda de lugar. Ventos que durante milênios sopravam num mesmo sentido passam a correr de trás para a frente. Chuvas viram secas, calor dá lugar a frio e o que era gélido começa a torrar. O responsável por tudo, o El Niño, é o primeiro indício descoberto pelos meteorologistas de que o clima pode mudar em escala planetária num período muito curto, praticamente de um ano para outro. Abaixo você vai descobrir como tudo acontece, o que a ciência sabe sobre ele e como os seus efeitos podem mudar o planeta.
O alarme veio dos sensores do satélite americano Noaa, o poderoso vigilante do clima do mundo. No dia 2 de março de , eles registraram uma manchinha de calor no Pacífico, a cerca de 100 quilômetros da costa do Peru. Como logo ficaria provado, ali estava o primeiro sinal de que o clima ia sair dos trilhos em 1991. Era um embrião do El Niño, que, tecnicamente, é exatamente isso: um aquecimento acima do normal das águas do Pacífico.

Em março, elas estavam só 1 ou 2 graus Celsius acima dos 24,5 que são normais. Em 15 de setembro, seis meses e meio depois, a diferença tinha chegado a 5 graus. E continuou subindo. E a manchinha no mar virou uma língua de calor, com quase 10 000 quilômetros de extensão por 2 000 de largura.

A rapidez da evolução do El Niño foi espantosa. No dia 9 de junho, o Cptec fez bonito: foi a primeira instituição do mundo a matar a charada. Foi ele quem anunciou que a manchinha de calor, que logo se transformaria na grande língua, era de fato a instalação do El Niño. Era quente, líquido e certo: logo viriam as inundações, tempestades, nevascas e secas.

Se o El Niño causa tudo isso, o que é, afinal, que causa o El Niño? A melhor resposta existente parece piada: o que causa o El Niño é uma gangorra. Sempre que a pressão atmosférica sobe no Oceano Índico, ela desce no Pacífico. E vice-versa. Notados há poucas décadas, o El Niño e a gangorra são traços milenares do clima. A gangorra intrigante, que foi ironizada quando anunciada pelo inglês Gilbert Walker, em 1928, não só era para ser levada a sério, como está na raiz desse hospício instalado no nosso planeta. Louco não foi o descobridor da gangorra da pressão. Louco mesmo era o clima.

Um jogo de empurra sobre o planeta

A peça-chave do clima planetário é um jogo de empurra que faz a pressão atmosférica subir num ponto e, ao mesmo tempo, descer num outro canto da Terra. É chamado de Oscilação Sul e, como faz uma aliança com o El Niño, os cientistas, agora, sempre falam no par El Niño-Oscilação Sul, ou Enso, que é a sua sigla em inglês. Hoje, é difícil descer num lugar do mundo onde o Enso não se intrometa.

Vamos lá. Pousando no Paquistão, em agosto, você presenciaria crianças com sede, arrastando as sandálias no chão rachado de tão seco. É que o Enso faz a pressão subir sobre o Oceano Índico. Traduzindo, faz o ar descer do alto da atmosfera para a superfície. Assim, empurra para longe a umidade das monções. E, sem esses ventos, não chega chuva no Paquistão.

Executivos esfogueados

Pulando daí para a Flórida, já no final do ano, você veria donas de casa na praia vigiando o horizonte. Torcendo para que o jogo das pressões despedasse os furacões lá no meio do Oceano Atlântico, bem antes de eles chegarem ao continente.

Corta para o Japão. A cena são executivos esfogueados, em dezembro, porque o frio não chega, apesar de ter passado da hora. É que a pressão empurra o ar para baixo, espalhando as nuvens. Aí, o sol bate direto e eleva a temperatura.

É por tudo isso que boa parte da massa cinzenta queimada pelos estudiosos do clima, nos últimos quinze ou vinte anos, foi consumida para investigar a dupla El Niño-Oscilação Sul. Foram tantos estudos e análises que os cientistas já viram uma lógica dentro da loucura, e com isso fazem até previsões. "Observando os sinais de que o Enso está se formando, pode-se antecipar as características do clima com antecedência de até dois anos", disse o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Godwin Obasi.

Os cientistas só não sabem dizer, ainda, qual é o gatilho que dispara o próprio transtorno. Há quem tente botar a culpa no efeito estufa, que é o excesso de calor provocado pela poluição industrial. Mas o Enso aparece em registros históricos, muito antes de existir indústria e poluição. Então, por enquanto, tentar forçar uma explicação só aumenta a doidice que já cerca o fenômeno. E aí, a loucura não é mais do clima. É da imaginação.

A gestação no Pacífico:
Compare o calor da água (vermelho) num ano em que não houve El Niño com dois anos que ele apareceu


15 de setembro de 1991: não há El Niño

16 de setembro de 1982: El Niño recorde

16 de março de 1997: começa o deste ano

15 de junho de 1997: quente e subindo

14 de setembro de 1997: empate com 1982

Dois jeitos de ser

Dentro da atmosfera, o ar circula junto à linha do equador como se estivesse encanado. Ele gira entre a superfície e o topo da atmosfera formando circuitos fechados, chamados células de Walker. Uma ao lado da outra, elas dão a volta ao mundo. Em 1928, o inglês Gilbert Walker viu que as células amarravam a pressão atmosférica entre dois oceanos: o Índico e o Pacífico. Se a pressão aumenta de um lado, ela diminui do outro, e vice-versa. Ou seja, se o ar pressiona o cidadão contra o solo de um lado, do outro ele sobe e alivia a força, do outro. O jogo das pressões corre pelas células e dá a volta ao mundo. Você vai ver, aqui, como esse jogo cria o El Niño.



Transtornos no bolso

O El Niño de 1982 foi o mais forte do século, até agora. Na América do Sul, quem mais sofreu foi o Peru. A pesca, uma atividade econômica chave, ficou prejudicada. As enchentes também atrapalharam o Uruguai, a Argentina, o Paraguai e o Brasil, na Região Sul. O Nordeste sofreu com a seca. O prejuízo total na América do Sul foi de 3 bilhões de dólares, e, em todo o planeta, 13 bilhões. Leia abaixo o custo dos desastres.

Enchentes

O prejuízo recorde, de 1,3 bilhão de dólares, coube aos Estados Unidos. O Peru e o Equador arcaram com 650 000 dólares, vindo a Bolívia em seguida, com 300 000.


Furacões

Causaram impacto bem menor. O Havaí pagou o maior preço, 230 000 dólares. Ao Taiti couberam 50 000. Os dois lugares ficam no Pacífico.



Secas

A Austrália perdeu 2,5 milhões de dólares. Vieram depois a África do Sul com 1 milhão, a Indonésia com 500 000, as Filipinas com 450 000. A América Central arcou com 600 000 dólares.




Efeitos colaterais daqui ao Japão

Confusões que os brasileiros já viram


Uma alteração típica provocada pelo El Niño foi o aumento das chuvas na Região Sul, durante o mês de agosto de 1990. Já na Serra da Mantiqueira e no litoral da Bahia caiu menos água do que deveria. Os termômetros subiram, em geral, 2 ou 3 graus Celsius no leste de São Paulo, no nordeste de Goiás e no sul do Mato Grosso do Sul. No centro da Bahia e no sul do Piauí o tempo ficou até 3 graus mais fresco. Daqui para a frente, todos concordam que vai chover mais no Sul e menos no Nordeste. Também vai ficar mais frio no Sul e mais quente no Nordeste.


Fonte: Revista Superinteressante de janeiro de 1991 (texto adaptado)

Clima mais frio também é culpa da poluição

A Terra está se aquecendo graças ao efeito estufa, causado pela emissão de gases que retêm o calor do Sol. Mas, nas últimas décadas, o clima no norte do Oceano Atlântico está cada vez mais frio. Climatologistas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, no Colorado, sugerem um motivo para a contradição. Segundo eles, o ácido sulfúrico que escapa junto com os gases das chaminés das indústrias criam aerossóis (gotículas) na atmosfera, que facilitam a formação de nuvens. Estas funcionam como guarda-sóis, opondo obstáculo à entrada do calor solar. Usando um modelo em computador, os pesquisadores verificaram que essas nuvens não têm apenas efeito local, mas alteram todo o comportamento dos ventos. Resultado: as correntes de inverno chegam mais cedo ao Canadá e as tempestades na costa leste dos Estados Unidos ficam cada vez mais violentas.

Quanto você contribui para o aquecimento global?

Se você pensa em chaminés industriais quando alguém fala em aquecimento global, saiba que, todos os anos, cada “pessoa física” do planeta produz, em média, 7 toneladas de gás carbônico. A estimativa, feita pela ONU, não inclui fábricas e usinas, só a soma de todas as emissões que as pessoas provocam ao ligar o carro, acender o fogão ou comer carne. Somadas, elas são responsáveis por 0,9% das 7 gigatoneladas anuais de gás carbônico que a humanidade joga na atmosfera (número semelhante à emissão de fenômenos naturais, como vulcões e incêndios florestais). “O impacto pessoal na formação do efeito estufa é muito grande. Quanto mais prejudicamos o clima, fica mais urgente ainda tomar uma atitude”, diz Osvaldo Martins, da ong Iniciativa Verde.
Não há mais muita dúvida de que o homem é responsável pelas alterações que o clima do planeta sofreu nos últimos 50 anos. De acordo com o relatório Mudanças Climáticas 2007, as chances são de mais de 90% (leia mais sobre o relatório na pág. 23). “Mesmo que as emissões de gases na atmosfera fossem reduzidas em 60% para que o planeta recuperasse o equilíbrio, já experimentaremos um aumento de 0,1 0C na temperatura a cada década durante os próximos 100 anos”, diz Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A melhor atitude a se tomar é diminuir a emissão pessoal de gás carbônico.

Cada habitante da terra libera em média 7 toneladas/ano de gás carbônico. Para compensar os efeitos dessa emissão, seria preciso plantar 38,9 árvores.
Clicando aqui você pode calcular sua emissão anual de gases de efeito estufa (CO2 equivalente) e a quantidade de árvores que deveria plantar a fim de compensar estas emissões!

O que o aquecimento global pode causar no Brasil?

Além de sentir mais calor, em um futuro não tão distante o povo brasileiro deve enfrentar secas em algumas partes, chuvas torrenciais em outras, furacões, e todas as espécies, inclusive o ser humano, devem sofrer baixas consideráveis. No início de fevereiro, um grupo de cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da ONU) divulgou um relatório que mostra que o planeta está cada vez mais quente – e a chapa vai continuar esquentando. O aquecimento da Terra, contudo, não será homogêneo: a temperatura subirá mais nos continentes do que nas áreas oceânicas e mais no hemisfério norte do que aqui no sul. Isso significa que o Brasil até pode ser menos afetado do que os Estados Unidos e os países europeus, mas, se as previsões do IPCC se concretizarem, não teremos refresco. "O aquecimento por aqui deve ser de 4 a 5,5 ºC na região tropical. O Nordeste, o Centro-Oeste e a Amazônia serão as regiões mais afetadas", diz o meteorologista José Marengo, coordenador de estudos de mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O IPCC deve divulgar novos relatórios mais detalhados em breve, com previsões sobre o impacto do aumento da temperatura em cada região do globo, mas estudos do Inpe já dão uma idéia de como ficará nosso país em menos de cem anos. É melhor ir ligando o ar-condicionado.

Operação abafa - Dentro de cem anos, as Regiões Norte e Centro-Oeste serão as maiores vítimas do calor

FLORESTA AMEAÇADA
No Brasil, a onda de calor será mais intensa nas Regiões Centro-Oeste e Norte. E, junto com o calor, aumentam os riscos de incêndios e queimadas. A maior vítima disso, claro, é a floresta Amazônica, onde a mata fechada deve dar lugar a uma vegetação menos densa, como o cerrado.

ENTRESSAFRA
O aquecimento global vai bagunçar as temperaturas, acabando com as diferenças entre as quatro estações, e tornando os veranicos – períodos secos em estações tipicamente chuvosas – mais freqüentes. Com isso, safras inteiras podem ser perdidas por causa do calor e de chuva em excesso na hora errada.

FURACÃO 2100
É "muito possível", segundo o IPCC, que tormentas, tufões e furacões sejam mais constantes e intensos – o aquecimento aumenta os choques entre massas de ar de diferentes temperaturas, provocando fenômenos desse tipo. O furacão Catarina, que passou por Santa Catarina em março de 2004, parece ter sido apenas o primeiro resultado desse processo.

PLANTÃO MÉDICO
O ar, quente e seco, ficará mais difícil de respirar. Ao menos 300 mil pessoas morrerão a cada ano devido a doenças respiratórias. Brasília, já famosa pelo clima seco, ficará inabitável em algumas épocas. E não é só isso: como verão e inverno terão temperaturas parecidas, insetos transmissores de doenças como malária e dengue terão mais tempo para se reproduzir.

NÃO VAI DAR PRAIA
O IPCC prevê que o nível dos oceanos suba de 18 a 59 centímetros até 2100. Cidades litorâneas do mundo todo terão que construir barreiras para conter a água e ilhas correm o risco de desaparecer. A ilha de Marajó, no Pará, não deve sumir nesse primeiro período, mas seu território sofrerá uma perda considerável: o Inpe prevê que 2 metros de elevação do nível do mar roubaria 28% do território da ilha.

VIDAS SECAS
Com temperaturas mais altas, as regiões secas devem ficar ainda mais secas. O semi-árido nordestino pode deixar o semi para trás e ganhar o aspecto de um deserto. Resultado: menos plantas, menos animais e mais gente fugindo para as cidades maiores, que verão a pobreza crescer na sua periferia.

TEREMOS TORÓ
Foi-se o tempo que São Paulo era a terra da garoa. Daqui para a frente, a metrópole tende a sofrer com chuvas fortes – e, claro, enchentes constantes. Nas cidades do Sul e do Sudeste, deve chover 20% mais do que chove hoje e, pior, as chuvas devem ser mais duradouras, já que mais água deve se acumular nas nuvens.

MORTE À MATA
Os humanos podem fugir para lugares mais frios se a temperatura aumentar demais, mas animais e principalmente plantas não têm a mesma sorte. Por isso, estima-se que a mata Atlântica, que ainda abriga uma cadeia alimentar bastante complexa, pode perder até 40% da sua biodiversidade atual.

Fonte: Site da Revista Mundo Estranho

sábado, 15 de agosto de 2009

Mudanças Climáticas


Durante os 4,6 bilhões de anos da Terra, ocorreram diversos episódios de resfriamento e aquecimento climático. A mais recente era glacial (cujo apogeu foi há somente 21 mil anos), uma das mais intensas, cobriu de gelo as montanhas e vastas áreas do norte da Europa e da América do Norte. Também ocorreram períodos prolongados de secas naturais em diversas regiões da Terra. A diminuição ou o aumentos das manchas solares pode provocar o aquecimento global ou a queda da temperatura da Terra em até 2º C.
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A atenção dos cientistas tem, recentemente, se voltado para os motivos do aumento e redução da camada de gelo e para a descoberta de que houve muitos eventos rápidos e intensos, em escalas temporais de cem a mil anos. Esses eventos não podem estar ligados às variações orbitais, mas a outros processos do Sistema Terra.

A temperatura está, sim, aumentando, e não é de hoje. Desde 1860 a linha de temperatura começou a subir e não parou mais. Projeções científicas dizem que a temperatura média da Terra vai subir cerca de 5,8°c até o final deste século, de 15° para 20,8ºc. O clima do Brasil também está mudando, o que pode ter impacto no dia-a-dia de todos nós. Já é sabido que o local onde a temperatura mais subirá será a Amazônia, podendo ter um aumento de 8°c em sua temperatura média até 2100. Se a emissão de gases poluentes no mundo não for controlado, a floresta começará a desaparecer em poucas décadas.


Vídeo da Fundação O Boticário sobre as mudanças climáticas